1/29/2012

Trez garotos

Não existiam só retratos da velhice... eis um exemplo de retrato de miúdos sorridentes. O postal indica "typos de estudo", o que, tal como nos retratos anteriores, dá um propósito artístico à imagem. Estes garotos têm cara de rufias citadinos, com os seus gorros e bonés. Bonés ao estilo dos que trazem os malfeitores (e não só) nos filmes que ocorrem durante o periodo da proibição nos Estados Unidos (1919-1933).

1/28/2012

Cabeça de estudo

Um último retrato da série "cabeça de estudo" da Foz do Douro. Um rosto bíblico... que é talvez o que se pretendeu obter aqui colocando um tecido sobre a cabeça do modelo. Pelo menos que eu saiba os homens não usavam tal "xaile", só se os mais pobres contra a chuva? De qualquer maneira, uma bela imagem dos anos 1900s que merecia um lugar num museu nacional de fotografia.

1/25/2012

Typo da Foz do Douro

Mais retratos então. Dois postais com o mesmo modelo, fotografado de frente e de perfil. Vêm com o título "cabeça de estudo" que indica o intuito artístico das imagens. Acho belos estes retratos.

A senhora idosa, qualificada de "typo da Foz do Douro", mostra um rosto meio grave e sério, marcado pelas asperezas da vida, portador de uma espécie de resignação toda cristã (talvez um efeito do xaile a cobrir a cabeça).

1/24/2012

Foz do Douro

Mais um retrato de uma mulher idosa a sorrir... uma peixeira de rosto enrugado e curtido pelo sol. Afastámo-nos aqui um pouco do tema do traje, mas estes postais formam um conjunto de retratos interessantes, de um ponto de vista artístico e não só. Esta imagem faz parte de uma série da qual vêm aí a seguir mais exemplares.

1/22/2012

Fazendo meia

Da mesma série que o retrato anterior, eis uma mulher idosa a tricotar, sorridente e com os seus óculos na ponta do nariz... uma caricatura de avozinha. O segundo plano unido dá a ideia que a fotografia foi tirada num estúdio.

1/21/2012

Um velho lobo do mar

E que tal prosseguir agora com retratos antigos? Eis uma imagem postal do início do séc. XX de um marinheiro com o seu cachimbo. Seu vestuário, nomeadamente o casaco e o boné, tem um aspeto bastante moderno.

1/17/2012

Busto de mendigo

Para completar o quadro das ruas da cidade, havia também os mendigos. Facto surpreendente é terem existido postais a retratá-los. Hoje não viria à ideia de ninguém enviar um postal com a fotografia de um sem-abrigo (acho eu). Poderia ter sido meramente pelo valor artístico do retrato, o que, tal como neste postal aqui, seria justificado, mas reparem que a legenda diz "Costumes". Quer isso dizer que a razão de ser da imagem são os andrajos do pobre. O rosto digno indica que os autores quiseram mostrar uma pessoa parte integrante da sociedade. Todavia acredito que a primeira motivação do fotógrafo tenha sido artística. Não sei se este tipo de imagens postais existiu noutros países da Europa, até aqui nunca vi.

1/14/2012

O amolador

Pelas ruas da cidade não se vendiam só mercadorias, mas também serviços. Eis por exemplo um amolador com o seu carrinho profissional equipado para afiar facas, tesouras ou qualquer alfaia. Ambos, o senhor e o miúdo, estão bem vestidos, e o rapazinho até com uma certa modernidade chique.

1/08/2012

Vendedoras de peixe

E para completar o quadro dos vendedores ambulantes, havia claro as peixeiras. Garridas, percorriam descalças as ruas com a mercadoria fresca do dia à cabeça, apregoando de viva voz e de maneira típica. Podem ver mais retratos de vendedeiras de peixe aqui e aqui.

1/07/2012

Vendedor de jornaes

Outra venda praticada pelas ruas da cidade: a de jornais. Neste postal aparecem dois pequenos vendedores, os quais percorriam as ruas descalços talvez de maneira quotidiana com suas bolsas contendo publicações que muito provavelmente eram incapazes de decifrar (infelizmente em 1900 ainda estava longe a escolarização infantil obrigatória neste país!).
Por baixo da legenda original, o expedidor do postal adicionou a tradução para francês.

1/06/2012

Leiteiros

Eis uma versão caprina dos vendedores de leite. O postal indica Mirandela, o que não é muito comum, pois os postais do início do séc. XX dessa cidade, com pessoas, são raros.
Vi recentemente uma fotografia de cerca de 1900 com uma cena parecida de um vendedor de leite, com seu pequeno rebanho de cabras... nas ruas de Paris! (In: "Paris. Portrait of a City." J.C. Gautrand. Ed. Taschen).

1/05/2012

Vendedor de leite

Um vendedor de leite das ruas, que não se incomodava a transportar a mercadoria às costas, pois ela era contida nas tetas bovinas... no fim de contas, uma espécie de micro-fábrica ambulante. Ainda não se inventou maneira tão direta de aplicar a fórmula "do produtor para o consumidor".

1/04/2012

Vendedeira de leite

Gosto desta série de vendedores ambulantes, por isso vou prosseguir. Eis uma vendedeira de leite, retratada num estúdio. Ao que parece tem um lenço a servir de cachecol, brincos ostentativos que parecem flores, um chapéuzinho engraçado... a blusa ou camisa também apresenta uma certa originalidade, feita num tecido de tipo escocês (as cores aqui não são as originais, pois a imagem inicialmente a preto e branco foi colorida, ou colorizada como se diria no Brasil).

1/03/2012

Vendedor de hortaliça

Outro comerciante ambulante das ruas da capital: o vendedor de hortaliça. Naqueles tempos as mercadorias vinham de maneira quase quotidiana até à porta de casa, muitas transportadas às costas como se pode ver aqui. Os vendedores, conscientes que para garantir o seu ganha-pão não podiam afugentar o cliente, vestiam-se de maneira correta e asseada... tal como hoje em dia um representante comercial.

1/02/2012

Vendedor de azeite

Começo este ano novo com mais um vendedor das ruas. Este vendedor ambulante transportava a sua mercadoria ao ombro e na mão, numa pipinha e em recipientes de latão. Tal como para os outros vendedores a pé, a tarefa parece-nos bem pouco produtiva... e perguntámo-nos porque não usavam antes um carrinho ou até um animal? Talvez porque as ruas não eram assim tão facilmente praticáveis e a pé podiam percorrer as vielas, becos e escadarias da cidade. Ou seria simplesmente por uma questão de desprovimento?

12/23/2011

Vendedeira de gallinhas

Para continuar na série dos vendedores ambulantes, eis uma vendedeira de galinhas das ruas de Lisboa. Com uma blusa de motivos originais e uma ampla bolsa à cinta. Sim, a senhora deambulava pelas ruas da cidade com galináceos sobre a cabeça... e um galo ao braço, talvez para evitar promiscuidades no cesto-gaiola acima e toda a confusão consequente.
A fotografia foi tirada no mesmo sítio que para esta outra vendedeira.

12/21/2011

O aguadeiro

Mais um "tipo" das ruas da cidade, um aguadeiro... bem vestido e lindamente retratado. Com a pipa ao ombro faria mais pensar num "vinhateiro", mas creio que tal venda ambulante não se praticava.
Este postal foi enviado para França em 1904. A tradução da legenda para francês não é propriamente (só) por questões de turismo. É que no século XIX e ainda no início do século XX, o francês era a língua internacional nos assuntos postais... além de ser também conhecida pelas pessoas educadas pela Europa fora e até na Rússia.

12/18/2011

O padeiro

Uma outra personagem das ruas da cidade, um padeiro ambulante... com seu volumoso cesto às costas sustido com as mãos por duas correias (o transporte sobre a cabeça, menos desconfortável, era no entanto sendo somento feminino). Um vestuário citadino elegante e asseado (exigido pela profissão), bigode de rigor neste início de século XX, tal como no resto da Europa.

12/17/2011

Lisboa na rua

Uma outra lavadeira, de cerca de 1900, num postal com a legenda traduzida para francês. Esta imagem tem algo de singular em relação aos outros postais da mesma época, pois é um retrato feito na rua, com o modelo em movimento, e curiosamente a fotografia foi tirada de um nível inferior... uma cena que testemunha o quotidiano da capital, sendo parte duma série intitulada "Lisboa na rua". A senhora traz uma saia e um avental coloridos e compridos.

Lavadeiras

Bem, este postal é muito mais recente, praí dos anos 70 ou 80... uma breve alteração do habitual por se tratar de lavadeiras, tal como na imagem anterior. Reparem que os hábitos lavatórios eram aqui inalterados em relação ao início do século XX, a não ser as bacias de latão ou de plástico (mais baratas que os cestos de fabricação manual). A forma e as cores do vestuário tambem não serão muito diferentes, todavia aqui é provavelmente pronto-a-vestir. Não sei se a placa atrás indica Marinha Grande?